VOZ COMUM

Uma criação da Estrutura Baldia, em encontro com a Fundação AMI.

“Lá” é o lugar de onde partimos. Um território esquecido, abandonado, e que talvez nunca tenha existido (pelo menos, não exatamente da forma como nos lembramos hoje). Sabemos, no entanto, que é de Lá que vêm os grandes castelos cor de gelado, as asas com sabor a mar, os ursinhos de avental com que a memória nos embala, quando o coração se torna uma terra estrangeira.

Sem qualquer adenda ou aviso, chegámos até aqui. Andámos léguas de sonho e de artéria, e não sabemos bem em que corpo, em que lugar nos fomos perdendo. E talvez seja no caminho de regresso a uma casa que se extinguiu, algures entre Cá e Lá, o melhor lugar para plantar uma morada e encontrar uma voz comum.

INFORMAÇÕES GERAIS

M/12 | 55 min. | Teatro Académico de Gil Vicente

05 out 26 | 21h30

No meu poema favorito da Emily Dickinson ela diz-nos: “Tudo o que sabemos do amor, / É que o amor é tudo o que existe; / É quanto basta; o fardo deve ser / proporcional aos sulcos.”

Os “sulcos” são as fendas profundas abertas na terra pelo arado para que se possam plantar sementes. E por isso, Dickinson quer dizer que os fardos que carregamos têm que ser proporcionais à profundidade da nossa capacidade de sentir. E hoje, a meio deste processo, consigo entender este poema. De uma forma nova. Aquilo que carregamos deve ser proporcional à maneira como sentimos. As pessoas com quem trabalhei ao longo destes meses foram quem me ensinaram isto.

Desde maio que, com coragem, ousadia e raça, partilharam as suas histórias e referências, as diferenças culturais que nos separam, mas que também nos conseguem juntar, as suas músicas favoritas e os pratos que mais gostam de cozinhar, e especialmente, o amor radical que ainda é capaz de existir entre um grupo de pessoas que não se conhece, mas que se passou a conhecer de forma profunda através do teatro.

Este espetáculo é um ato transgressivo de amor. Uma provocação sobre um objeto cénico ser capaz de usar as memórias e a imaginação como forma de luta. E um desafio de ver e ouvir o outro para além de fronteiras geográficas ou linguísticas.

E se sentirmos isto tudo, de verdade, voltamos ao início deste ciclo que nos confirma que o amor é realmente tudo o que existe. É o que nos junta , e que faz com que encontremos esta nossa Voz Comum.

Matilde de Fachada

Encenação | Matilde de Fachada 

Dramaturgia | Joana Ferrajão 

Interpretação | Farzane Nasiri, Pratibha Agdern, Irá Marconi, Gal Edut Adany, Shahaf, Edut Adany, Itzik Edut Adany, Alena Kulahina, Filomena Praça, Elena Mitenko, Lavinia Zuccalà, Ana Goulart, Paulo Pereira

Direção Musical e Música ao Vivo | Miguel Cordeiro

Desenho Luz | Diogo Lobo 

Figurinos | Lavinia Zuccalà

Mediação | Lavinia Zuccalà, Sónia Nunes 

Produção | Carolina Costa Andrade, Sónia Nunes

Comunicação | Carolina Costa Andrade, Marisa Santos

Fotografia | Irina Marconi, Sofia Martins

Imagem | Jorge Silva

Parceiros de criação / participação | Fundação AMI, Teatro Académico de Gil Vicente

APOIOS | Rancho Folclórico Tricanas de Coimbra, Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, RUC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA

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