UMA AGENDA POR CUMPRIR

“Uma Agenda por Cumprir” é o primeiro espetáculo da Estrutura Baldia e parte de uma agenda real de 1998, encontrada numa loja de segunda mão, onde está registado um ano da vida de uma mulher desconhecida. Através de anotações mínimas — horas de trabalho, telefonemas, consultas médicas, refeições partilhadas — constrói-se o retrato íntimo de uma existência aparentemente banal, atravessada pela doença, pela memória, pela solidão e pela resistência quotidiana. Entre o documental e a ficção, o espetáculo escuta o que ficou escrito e interroga o que nunca chegou a ser dito, transformando um objeto abandonado num território vivo de encontro entre tempos, corpos e vozes.

INFORMAÇÕES GERAIS

M/12 | 55 min. | Casa das Artes Bissaya Barreto

24 fev 26 | 19h

25 fev 26 | 19h

26 fev 26 | 21h30

28 fev 26 | 16h / 21h30

3 mar 26 | 19h

4 mar 26 | 19h

5 mar 26 | 21h30

7 mar 26 | 16h / 21h30

  • Conversa pós espetáculo | 7 mar 26 | 18h

Algures em 2022, quando li a agenda pela primeira vez, quando a Ju ma passou para as mãos e me perguntou o que pensava daquilo e depois do impacto de ter acesso a um ano inteiro da vida de alguém em poucos minutos, ficou decidido, numa promessa de olhares, que aquela matéria habitaria mais umas horas, mais uma sala, mais um corpo. Decidimos que escreveríamos sobre a potencialidade que residia naquelas folhas.

Essa promessa cumpre-se hoje. Cumpre-se sempre que este espetáculo é levado a cena. E não se cumpre apenas na forma do espetáculo, mas também na permanência do próprio objeto que o motivou — como se cada apresentação prolongasse uma respiração que começou em janeiro de 1998.

Trabalhar um material que não nos pertence implica um exercício contínuo de contenção: saber até onde ir, o que ampliar, em que linha ultrapassada começamos a trair. Obriga-nos a perguntar constantemente que voz está a falar. Por isso, posso afirmar que este espetáculo é, antes de mais, um exercício de presença. Permanecer junto de algo sem o querer resolver. Sustentar o olhar. Aceitar que nem tudo precisa de ser explicado para existir.

Talvez seja isso que nos move: confiar que há força suficiente no quotidiano para se manter em cena.

Carolina Costa Andrade

Texto | Carolina Costa Andrade, Juliana Roseiro

Encenação | Carolina Costa Andrade

Interpretação | Juliana Roseiro

Sonoplastia, Direção Técnica e Operação | Miguel Serrão

Cenografia, adereços e figurinos | Beatriz Antunes

Música | Matilde de Fachada, Miguel Cordeiro

Produção e comunicação | Helder Carvalho

Imagem e Edição de Vídeos Promocionais | Maria Vitória do Valle

Captação de vídeos promocionais | Matilde de Fachada

Fotografia | Eva Tiago

Agradecimentos | Filipa Malva, Marionet, Miguel Figueiredo, O Teatrão 


A Estrutura Baldia agradece ainda a generosidade de Adriano Miranda, Daniel Rocha e Miguel Madeira, autores das fotografias que, no espetáculo, nos transportam até junho de 1998.

APOIOS | República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes, BERRU, Casa das Artes Bissaya Barreto, CITAC, IODO, MAFIA - Associação Cultural, RUC, Palmilha Dentada

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